Sábado

ACRÍLICO SOBRE CARNE


Você pode não gostar da pintura acima. Mas vai ficar intrigado se eu te disser que é uma fotografia? Eu demorei pra entender. Mas veja a artista trabalhando:


"Minha técnica de pintura empurra os limites da percepção, comprimindo o espaço 3D em um plano 2D, borrando as linhas entre arte e vida." Diz Alessandra Meade.

E eu, que achei que nada mais pudesse me surpreender, mais uma vez confirmo que só sei que nada sei.

Quinta-feira

FEIRA DE SÃO JOAQUIM

Então que não comprei muitas coisas em Salvador não. Fui pra andar, e andei muito. Pelourinho, Graça, Rio Vermelho, Ribeira. Atravessei pra Plataforma, só pra ir comer moqueca de camarão no Boca de Galinha.


Até na feira de São Joaquim eu fui! E foi numa casa de macumba lá que comprei dois pratos novos para a minha coleção incipiente. R$3 cada.

Mas fiquei pensando, logo eu que gosto tanto de significados, nem perguntei ao vendedor para quais orixás ou entidades eram esses pratos. Você sabe?

Mas o que interessa mesmo é que finalmente eu comeeeço a gostar da disposição dos pratos na minha parede. :-)

-ROUPAS PRA PASSAR = + TEMPO LIVRE!

Fiz uma pesquisa no Twitter e perguntei: "Você gosta de passar roupas?", e batata! Ninguém gosta. A Ju acha que é tão, mas tão ruim que chega a ser pior que limpar banheiro. Eu também não gosto. Sem contar que toma um tempão! Prefiro ir ao cinema, dar uma volta no CCBB, fazer nada, e até arrumar o armário. Mas passar roupa eu não mereço!

Então, pra resolver esses dois problemas - o de passar a roupa e o de aliviar o meu tempo pra que eu possa fazer coisa melhor - a Brastemp está lançando a Secadora de roupas Ative. E o que essa belezura faz? Além de secar as roupas, a Secadora Brastemp Ative tira os amassados, deixando os tecidos mais macios e fáceis de passar.

E tem mais: a Secadora Brastemp Ative gasta menos energia elétrica que um ferro de passar roupas! Não gasta muito da sua energia e nem da energia da tomada!

Pra explicar a Tecnologia Passe Fácil da Secadora Brastemp Ative de um jeito diferente, a Brastemp e a DM9 fizeram uma brincadeira. Veja só:


Ah! E a campanha é totalmente online - não é bacana? No site você pode fazer desenhos sobre um tecido, e o resultado final é mostrado pela própria patinadora do vídeo acima. E como sei que você já quer se livrar do seu ferro de passar, é uma chance de enxergá-lo como algo divertido, nos pés da moça. Mas não na sua mão, nem passando roupa...

Ah, e a campanha tem um twitter.

E então? já está fazendo planos do que vai fazer com o seu tempo livre?

***

Este post é um publieditorial. Saiba como anunciar no de(coeur)ação clicando aqui.

Terça-feira

FAVORITOS - TOBIAS & HANNE MIKKELSEN

Eita, mas fazia tempo que eu não mostrava uma casa inteira. E essa é super-especial, pela mistura corajosa de cores e estampas. E porque é de um casal de designers dinamarqueses! E como a gente percebe o design dinamarquês nesta casa? Não é muito fácil não. A globalização tornou possível termos decorações muito parecidas aqui e na China. Mas vamos fazer o exercício?


Hanne & Tobias moram em Copenhagen, e têm uma agência de design, a WhatWeDo. Eles têm uma filha, Silke, que tem um quarto tão lindo que dói. E vejam o que eles falam do quarto: "As amostras de papel de parede vintage foram combinados com brinquedos dinamarqueses clássicos, de madeira. Nós mesmos projetamos e construímos os armários, com placas de mdf de 20mm, e o sistema de portas corrediças."

A cozinha foi feita com um orçamento bem reduzido, e eles mesmos também fizeram as estantes com lâmpadas embutidas.
Então vamos lá: a marcenaria de formas limpas, a circulação fácil entre os ambientes, que privilegia quem mora na casa, os motivos que lembram a natureza, tanto de animais quanto de folhas e flores, espalhados pelas paredes e cerâmica, não faz todo o sentido com o que te contei do design dinamarquês?

E junte-se a isso uma preocupação estética, a produção quase pessoal dos móveis, e uma coleção clássica de objetos - as peças Catherine Holm são anos 60, a cadeira Eames e os cartazes nas paredes, anos 50 - e fica demonstrado que não há uma preocupação com o novo de maneira consumista, o que é coerente com os princípiosda escola Klint.
Lembra que eu disse que o design dinamarquês apontava para valores como utilidade e seriedade, tendo em mente que o bom gosto é sinônimo de modéstia?

Pois então. Esses valores (e esses anos pós-guerra da escola Klint) ficaram marcados. O candelabro da estante é o 'Kubus', peça dos anos 60, com design do arquiteto dinamarquês Mogen Lassen, que - ora, ora, vejam só - frequentou a Escola Klint.

E - ora, ora, vejam só novamente - o poster no quarto mostra um edifício que foi projetado por ninguém mais, ninguém menos que Arne Jacobsen. O mesmo da cadeira Ant que frequentou que escola mesmo? É, eu sei, não preciso repetir.

Acho que mostrei um ponto, não mostrei? O de que o design está pra Dinamarca como a música, ou o futebol, para o Brasil. Porque essa dupla está muito presente no meu dia-a-dia. Mesmo se eu não gostar. É o nosso orgulho nacional, não é? E os gringos costumam achar que todo brasileiro sabe batucar um samba ou jogar bola.

Da mesmoa forma o design é o orgulho nacional dinamarquês. Outras escolas de design importantes existiram na Europa na mesma época que a Klint. A alemã Bauhaus foi até mais influente. Mas a relação do povo alemão com o design é bastante diferente.

Fica aqui também o meu agradecimento ao casal Hanne & Tobias, que permitiram que eu mostrasse a casa inteira deles. E só pediu pra eu dizer que as fotos eram do Tia Borgsmidt. É isso.

Segunda-feira

DESIGN DINAMARQUÊS

O design está para a Dinamarca como a música - ou o futebol - está para o Brasil. Mas pra entendermos isso um pouco melhor, vou te contar umas coisas. Senta que lá vem história. E é maior que um post. Rogerinho Santos, meu professor de História da Arte na UFOP, repetiu tanto que eu decorei: toda e qualquer representação artística ou de design deve ser entendida dentro do contexto histórico-sócio-econômico-cultural. Então vamos desenhar esse contexto?

***

Não há guerra sem traumas, e a II Guerra Mundial certamente foi rica deles. Com o seu fim, o sentimento comum era de necessidade de renovação. A Europa devastada sofria as conseqüências da guerra, e os europeus estavam interessados em novos produtos, que não lembrassem os rebuscados ideais burgueses do período anterior, e que pudessem ser produzidos em série, e ainda: que fossem mais baratos.

A Dinamarca nunca foi particularmente rica ou marcada por diferenças de classes*. E a política social-democrata apoiou sempre uma produção de pequena escala. Neste contexto os artesãos se tornaram designers**, e os designers se tornaram educadores, apontando para valores como utilidade e seriedade, e tendo em mente que – para eles – o bom gosto é sinônimo de modéstia.

Portanto, resumindo, o design dinamarquês foi desenvolvido a partir do artesanato local, em uma produção organizada, e visando um mercado consumidor internacional. Capice?

Repare bem as peças da foto acima. Todas têm desenhos curvos, orgânicos, humanos, naturais. Até os nomes reafirmam este conceito: luminária alcachofra, cadeira ovo, cadeira formiga.

E, com a atenção fixada nestes detalhes, estes produtos parecem todos vindos de um mesmo forno, não é? E são mesmo. Todas essas peças foram produzidas por designers dinamarqueses no pós-guerra. E todos esses designers foram educados em uma única escola de design: a "Escola Klint".

ESCOLA KLINT

 
Peças representativas da Escola Klint

A "Escola Klint" foi fundada em 1924 por Kaare Klint, que era chefe de um pequeno grupo de professores e marceneiros, e foi um projeto modernista não radical do pós-guerra, criado em oposição a decoração rebuscada e aos antigos meios de produção (repito-me intencionalmente). Os professores eram práticos e pragmáticos, e formaram pelo menos três gerações de designers. A ênfase estava no mobiliário, mas a arquitetura, a cerâmica, o vidro e os têxteis também se beneficiaram.

Mesmo com o apelo da estética industrial da época, havia na Escola Klint o entendimento de que estética industrial pura era uma ameaça ao humanismo, e a obrigação deles era a de equilibrar demandas industriais às necessidades humanas. Esta atitude com relação à produção, à natureza e ao consumidor indica bastante a base política dessa escola. Havia uma crença de que todos tinham direito a objetos bonitos e que influenciassem na qualidade de vida, sendo confortáveis e ergonômicos. (A’lá o hedonismo solidário...)

No início dos anos 50, as cadeiras de madeira moldada dos americanos Charles&Ray Eames incentivaram Arne Jacobsen a projetar a famosa Ant, a primeira cadeira dinamarquesa a ser fabricada industrialmente.

Ufa! Amanhã passearemos pela casa de um casal de designers dinamarqueses, combinado?

*Eu acredito que, se os ideais socialistas-marxistas funcionaram em algum lugar, foram exatamente onde não eram “ideais”, mas realidade. E onde o estado não era dominante, mas necessário e organizado. Mas isso não é uma discussão pra esse blog.

**E, sem aprofundar e nem ser muito radical, qual a diferença entre o artesão e o designer? O projeto e a produção em escala.

Veja também: Profumo affair. E a Desmobilia tem uma miniatura linda da cadeira Panton, de design dinamarquês, por R$24!

Sábado

AS CORES, A ESCADA E A LAPA

Nos anos que vivi em Ouro Preto aprendi a reconhecer os turistas pelas cabeças voltadas pra cima. E os viajantes por uma certa calma no caminhar. Viajar-caminhar-observar. Eis a troika. Porque não existe observar com pressa. E o viajar sem observar é nada, senão turismo-micareta.

E de tanto observar o viajante encontra. Algures ou alhures, encontra. E não foi diferente com o chileno Jorge Selarón, que com esse nome de morador de Macondo, tão adequadamente foi achar seu destino numa escada.

Selarón cobriu com azulejos os 215 degraus da escadaria do Convento de Santa Teresa, ali pertinho da Sala Cecília Meireles. Acorda cedo todos os dias para varrer e cuidar de cada degrau como se fosse de um cômodo de sua casa. “Quando comecei a trabalhar na escada tive que comprar muitos azulejos, vendia meus quadros para ter dinheiro. Depois todo mundo passou a doar azulejos de muitos países: Colômbia, Coréia, Bélgica, Bolívia, Escócia, Estados Unidos, Egito, Espanha, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Inglaterra, Iraque, Itália, Japão, Líbano, Marrocos, México...”

Como Selarón, eu não tenho muito compromisso com a história. Meu compromisso é com a estória. Mas vou te contar um fato. A rua é meio escondida, e ele já pintava quadros e tinha um ateliê ali, pouco visitado. Então Selarón pensou num modo de transformar a situação, e a COR atendeu às suas preces. Funcionou! Snoop Dogg já usou pra ilustrar o beautiful. E vem gente do mundo todo pra olhar. Gente que aproveita e visita o ateliê do macondense ausente.

E pra dar uma ajudinha pra beleza aumentar, a Coral resolveu ajudar o povo a colorir as casas. E também pra reforçar uma ideia. Porque foi antes pela cor que a escada ficou bonita.

Todos os pintores são voluntários da comunidade. E o projeto é maior. Vale a pena conhecer. E visitar o Flickr. Porque vamos combinar: campanha de marketing babaca tem um monte por aí. Então quando a ideia é boa, eu aplaudo. E aqui temos duas boas campanhas. Palmas para Selarón. Palmas pra Coral.

Sexta-feira

MILHÃO


É, eu não leio emails do contador de visitas. Sequer consigo ler os emails queridos. (Tem uns que me deleitam tanto, tipo da moça triste porque se descobriu bege. A que quer dica pra um tapete, pro buraco do ar condicionado. Mas quede tempo pra responder? Essa semana meu tempo foi tão curto que meus gatos quase passaram fome.)

Aí, pra tentar salvar um pouquinho de tempo pra conseguir escrever, os spams, convites para redes sociais e emails de robôs já vão direto pro lixo via filtro. Mas essa semana eu mexi no meu lixo e me dei conta de que passamos de um milhão.


1 milhão o que, cara pálida? 1 milhão de visitas no www.decoeuracao.com. O número mais preciso tá aqui em cima. E veja bem: você, que me lê por email ou pelo leitor de feed nem tá aqui. Vocês são esse tanto aí embaixo. Por dia.


Então hoje eu tô aqui pra te agradecer. E pra te dizer que se eu pudesse te abraçar por escrito, com os braços você deveria ler esse post. Obrigada.

Quarta-feira

DESIGN x DESIGNER


Tia Wiki é muito esperta e ensina muita coisa pra gente, e hoje vai me ajudar a desencalacrar uma coisa. Ela diz e define:

"Denomina-se design qualquer processo técnico e criativo relacionado à configuração, concepção, elaboração e especificação de um artefato. Esse processo normalmente é orientado por uma intenção ou objetivo, ou para a solução de um problema."

"O designer é o profissional habilitado a efetuar atividades relacionadas ao design."

Então, mastigando: designer é a pessoa. E design é a coisa ou atividade. Não existe isso de está estudando “Designer” ou de estar estudando pra ser um “design”.

#prontofalei

Terça-feira

DESMOBILIA

Quem já tentou patrocinar o blog sabe como sou chata. Recuso quando não gosto das peças, ou dos preços, ou do estilo. Pergunto um monte. Porque minha credibilidade é a única coisa que tenho aqui, né não? Então vou te apresentar o novo patrocinador do de(coeur)ação, que passou com louvor nesse crivo: a Desmobilia.

A Desmobilia tem móveis exclusivos, clássicos, peças vintage, e de vez em quando ainda faz umas promoções ótimas. Quer ver?


Cabideiro de parede em forma de seta, por R$42



Classiquérrimo cabideiro Eames por R$ 210,00. A belezura custa USD179 na Eames Gallery. Viu? Na Desmobilia não tem imposto-ganância.


Mesinha Sputinik com pé palito (adouro) por R$432



E pros que querem deixar a casa a cara da riqueza (copyright @hugogloss) a Desmobilia tem muuuuitas opções. Até o Chesterfield!

Segunda-feira

SOU UMA PESSOA ANTIGA



A ilustradora Ila Fox só esquenta leite no fogão. A @juliapessoa tem aqueles panos de prato com calendário pendurado na cozinha. A @trelica coloca flores pra Nossa Senhora. E você? O que faz de antigo? Queria saber...

Domingo

MUÓDA



Não, não mudei de assunto. Mas o Oscar, né? E eu vi esse vestido (Prada) e fiquei embasbacada. É que não, eu nunca vi nada igual. Olha bem pra essas faquinhas, garfinhos e tesourinhas e me diz se esse vestido não é tudo nesta vida? E fiquei pensando nos detalhes que sempre fazem a diferença. No cuidado que aparece aos olhos mesmo se desatentos. E achei que você merecia ver isso também. Pra pensar junto comigo no "estado da arte".

Quer ver mais esse vestido? Just Jared mostra.

Sexta-feira

NAS NUVENS


Fui a Salvador pra ver Thereza, que nunca teve pernas estúpidas. E remexendo as estantes da memória ela tirou a poeira de uma lembrança e me chamou de "pastorinha de nuvens", e um dia te conto essa estória, mas né? Nuvem já foi a minha alcunha.

E daí? Daí que pra alimentar minha fixação, a Giovanna me mostrou as estantes dela. Pois bem, o serviço: as estantes estão à venda no Mercado Livre por R$ 70,00. E quem faz é a Bárbara (babisra@hotmail.com).

Quinta-feira

LIBERDADE AOS TOYS!


Todas as outras novidades soam requentadas, mas se tem uma coisa que de fato é novidade na decoração nesta década, são os toys espalhados pela casa. Isso realmente nunca se viu antes. Libertados dos quartos das crianças eles aparecem em qualquer lugar, fantasiados de outra coisa, já que não são brinquedos, não, não! são toys! E o eufemismo, acredito eu, foi muito responsável por essa libertação.

P.S.: Não sei se a expressão adequada é eufemismo. É mais um apelido, um outro nome. Toy está para brinquedo como o salmão já esteve um dia pro rosa. E queria falar mais sobre isso, mas o cansaço físico - e mental - não deixa.

P.P.S.: Por um acaso o senhor teria uma régua paralela de 50cm pra me vender? Tipo de coisa que só se usa na faculdade, e por curtíssimo período, e não vale a pena gastar R$60 em uma nova. :-S
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